Projeto apoiado pela FAPDF no âmbito do Programa Desafio DF tem R$ 3,8 milhões e estreia no HRG em setembro de 2026
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| Sandro Araújo/Agência Saúde DF |
A partir de setembro de 2026, o atendimento no Hospital Regional do Gama (HRG) pode ficar mais rápido: uma plataforma que integra dados em tempo real promete alertar equipes sobre exames atrasados, identificar sinais precoces de agravamento e reduzir o tempo de internação.
A solução, chamada “Monitoramento Ativo e Inteligente da Jornada do Paciente”, recebeu apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF) pelo Programa Desafio DF (2025). Coordenada pela Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação (RBCIP) e com coordenação técnica de Marcelo Estrela Fiche, a iniciativa tem investimento superior a R$ 3,8 milhões e execução prevista por 12 meses, com implementação inicial no HRG e possibilidade de expansão para outras unidades da rede pública.
Na prática, o sistema cria um perfil clínico unificado reunindo exames, prescrições, internações e atendimentos em um datalake. Processos de ETL padronizam e consolida informações de sistemas distintos, enquanto algoritmos de inteligência artificial cruzam dados estruturados e anotações médicas para detectar padrões de risco, como sepse e insuficiência respiratória, e acionar automaticamente protocolos assistenciais.
Além de avisos em tempo real quando há atrasos ou inconsistências, a plataforma oferece uma camada de supervisão contínua para reduzir falhas assistenciais. A solução também inclui um módulo de inteligência epidemiológica para analisar dados em escala populacional, identificar surtos e antecipar aumentos de demanda, ajudando a gestão a organizar equipes e recursos com base em evidências.
A segurança das informações é tratada como prioridade: o projeto prevê mecanismos de anonimização, uso de blockchain para registro imutável de operações e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). "A ciência não está restrita aos laboratórios, ela está à disposição da população para resolver problemas reais", afirma Leonardo Reisman, diretor-presidente da FAPDF.
Os organizadores afirmam que a expectativa é sair de um modelo reativo para um preditivo, com impacto clínico e operacional — redução de eventos adversos, menor tempo de internação e melhor uso dos recursos hospitalares — caso a plataforma seja adotada em larga escala na rede pública do DF.
